Cristo e a mulher samaritana


Tamanho (cm): 40X25
Preço:
Preço promocional£112 GBP

Descrição

Nesta obra de Lucas Cranach, o Velho, Cristo e a mulher samaritana se encontram junto a um grande poço ou boca circular de cisterna que domina o primeiro plano. Cristo, vestido de azul e sentado na borda do reservatório, ergue uma das mãos em um gesto de conversa e ensinamento. Diante dele, a mulher, envolta em um vestido vermelho e um corpete ornamentado, inclina-se sobre o poço enquanto segura dois objetos alongados; a seu lado, uma alta jarra de cerâmica torna palpável a tarefa de buscar água. Atrás deles, a cena se abre para uma trilha com figuras, árvores escuras, uma grande formação rochosa, um curso d’água, uma cidade e montanhas distantes.

O episódio pertence ao Evangelho de João: Jesus encontra a mulher samaritana junto ao poço de Jacó e pede que ela lhe dê de beber. O diálogo transforma uma situação cotidiana em um ensinamento sobre a água viva, a verdadeira adoração e a identidade messiânica de Cristo. A composição preserva essa dupla dimensão, humana e espiritual. O encontro começa em torno de um recipiente concreto, associado à sede física, mas o gesto elevado de Cristo desloca a atenção para a palavra e a revelação. O grupo que avança pela trilha amplia o alcance comunitário do episódio e sugere que a conversa não se limita à intimidade do primeiro plano.

O poço organiza a iconografia e funciona como eixo entre as duas figuras. A jarra identifica naturalmente a samaritana e ressalta a tensão entre a água que se busca e o significado mais profundo anunciado por Cristo. A paisagem com rio, cidade e montanhas situa o encontro em um território habitado, não em um espaço abstrato: a experiência espiritual se desenvolve em uma geografia concreta e compartilhada. Na faixa inferior, as figuras diante do cortinado escuro, junto com os escudos e as peças de armadura, compõem um registro de caráter cerimonial e heráldico. Esse contraste introduz uma dimensão pública e solene em contraposição ao diálogo na paisagem superior, como se a cena bíblica fosse contemplada a partir de um contexto de memória e representação.

A estrutura em dois registros conduz o olhar por meio de contrastes muito marcantes. Na parte superior, o grande volume marrom do poço e a diagonal do caminho articulam o primeiro plano com a profundidade; a rocha vertical e as árvores escuras enquadram os protagonistas, enquanto o azul-celeste do horizonte abre a composição em direção à água e às montanhas. O vermelho das vestes femininas e de várias túnicas cria um ritmo cromático que conecta as figuras distantes ao registro inferior. Na parte de baixo, o cortinado preto comprime o espaço e destaca rostos, mãos unidas, escudos e reflexos metálicos. A alternância entre a paisagem aberta e o interior visualmente fechado intensifica a transição entre narrativa, contemplação e cerimônia.

A pintura apresenta características associadas ao Renascimento alemão de Lucas Cranach, o Velho: cores intensas, figuras estilizadas, atenção às vestimentas e uma paisagem construída minuciosamente, na qual natureza e arquitetura se sucedem em profundidade. A elegância linear das silhuetas convive com uma narrativa de leitura clara, organizada em torno do diálogo entre Cristo e a mulher. Vale observar como o azul de Cristo estabelece um foco sereno diante do vermelho da samaritana, e como ambos são unidos pelo círculo do poço. Nessa relação entre cor, gesto, recipiente e horizonte, a conversa bíblica se transforma em uma imagem sobre a passagem da necessidade visível à revelação espiritual.

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