Tamanho (cm): 55x75
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Preço de venda3.008,00 NOK

Descrição

A obra A Lenda de Gelert, pintada em 1894 pelo britânico Charles Burton Barber, é um testemunho visual impressionante de uma das lendas mais trágicas do folclore galês. Ao contemplar esta tela, nos aprofundamos em uma narrativa que equilibra com maestria a brutalidade da sobrevivência e a ternura da proteção incondicional. Barber, que foi imensamente popular durante a era vitoriana por seus retratos de crianças e animais — chegando até a receber encomendas da Rainha Vitória —, demonstra aqui que seu talento ia muito além da simples ilustração decorativa; possuía uma capacidade única de dotar os animais de uma profundidade psicológica quase humana.

A composição nos coloca em um momento de calma após a tempestade. O centro das atenções é, inevitavelmente, o contraste entre a vulnerabilidade da criança que dorme placidamente no chão e a figura imponente do galgo irlandês, Gelert. Barber utiliza uma iluminação seletiva que cai diretamente sobre a pele rosada do pequeno, acentuando sua inocência e sua ignorância diante do perigo que acaba de ameaçá-lo. A desordem da cena — o berço virado ao fundo e as peles de ovelha espalhadas — sugere uma luta violenta e desesperada que ocorreu há apenas alguns instantes.

É na representação dos animais que a técnica de Barber atinge seu ápice. Gelert, o cão do príncipe Llywelyn o Grande, se ergue sobre a criança com uma expressão que mistura vigilância e exaustão. Seu pelo áspero, pintado com pinceladas texturizadas e precisas, mostra as feridas da batalha: pequenas manchas de sangue delatam que ele arriscou sua vida. À direita, a figura inerte do lobo morto confirma a magnitude da ameaça. Barber não poupa em detalhes realistas ao retratar o lobo, utilizando tons terrosos e sombrios que contrastam com a suavidade do cobertor da criança, estabelecendo uma dicotomia visual entre a vida protegida e a morte selvagem.

Um aspecto fascinante desta pintura é como captura o momento exato antes do erro fatal que define a lenda. Quem conhece a história sabe que o príncipe Llywelyn, ao retornar e ver seu cão coberto de sangue e o berço vazio, mata Gelert pensando que o animal havia atacado seu filho, apenas para encontrar a criança ilesa ao lado do lobo morto segundos depois. Barber escolhe pintar o instante de pureza absoluta: a lealdade triunfante. A paleta de cores é sóbria, dominada por marrons, ocres e cinzas, o que confere à obra uma atmosfera de seriedade histórica e emocional, afastando-a das cenas infantis mais leves que o autor costumava realizar para a burguesia da época.

A precisão anatômica de Gelert reflete o profundo conhecimento que Barber tinha sobre os cães, uma especialidade que o tornou o sucessor espiritual de Sir Edwin Landseer. Nesta peça, o artista consegue fazer com que o espectador sinta o peso do ar naquela sala e a respiração agitada do cão. Ao observar os detalhes menores, como o anel que pendura de um fio perto da mão da criança ou a veia da madeira do berço, percebemos uma dedicação absoluta ao realismo descritivo. A Lenda de Gelert não é apenas a ilustração de um mito; é uma ode à fidelidade que sobrevive mesmo diante da injustiça do julgamento humano, imortalizada por um pincel que entendia, melhor do que quase qualquer outro em seu tempo, o vínculo silencioso, mas inquebrantável, entre o homem e o animal.

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