Descrição
Obra-prima do início do período moderno, O Beijo, de Gustav Klimt, é um retrato aparentemente simples da luxúria e do amor. Mas, além dessa brilhante folha de ouro, a obra está repleta de fatos fascinantes.
O Beijo, a pintura mais famosa de Klimt, foi realizada entre 1907 e 1908, no auge do período dourado do artista, quando ele pintou várias obras em um estilo dourado semelhante.
A inspiração para sua fase dourada teria vindo de uma visita a Ravena durante suas viagens pela Itália, em 1903, que o apresentou ao mundo dos mosaicos bizantinos. Para Klimt, a planaridade dos mosaicos e a ausência de perspectiva e profundidade apenas realçavam seu brilho dourado, e ele começou a fazer uso sem precedentes de folhas de ouro e prata em seu próprio ateliê.
O Beijo está na Galeria Austríaca do Palácio Belvedere Superior, em Viena.
A pintura mostra um casal abraçado em um campo de flores. O homem se inclina sobre a mulher e ela, agarrando-se a ele com força, aguarda seu beijo. Quanto à ornamentação, a figura masculina se caracteriza por formas quadradas e retangulares, enquanto, na feminina, predominam linhas suaves e motivos florais.
Klimt retrata o casal envolto em intimidade, enquanto o restante da pintura se dissolve em um padrão plano, extravagante e brilhante.
O padrão tem vínculos claros com o Art Nouveau e as formas orgânicas do movimento Arts and Crafts. Ao mesmo tempo, o fundo evoca o conflito entre a bidimensionalidade e a tridimensionalidade, intrínseco à obra de Degas e de outros modernistas.
Pinturas como O Beijo foram manifestações visuais do espírito fin-de-siècle, pois capturam uma decadência transmitida por imagens opulentas e sensuais. O uso de folhas de ouro remete às pinturas e aos manuscritos iluminados medievais “dourados” e aos mosaicos de épocas anteriores, enquanto os padrões espirais das roupas evocam a arte da Idade do Bronze e as gavinhas decorativas presentes na arte ocidental desde antes da época clássica.
Houve inúmeras tentativas de identificar a mulher retratada em O Beijo. Entre os nomes mencionados estão Emilie Flöge, companheira de longa data de Klimt, e também Adele Bloch-Bauer. Os traços faciais bem proporcionados da figura revelam semelhanças com muitas das mulheres retratadas por Klimt, mas, em última análise, não podem ser atribuídos inequivocamente a uma pessoa específica.
O Beijo ocupa a posição nº 5 na lista de pinturas famosas










